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Longa exposição ao bisfenol A mudou DNA e comportamento de cobaias.

Composto usado em mamadeiras foi proibido no Brasil e em vários países.


Bisfenol A presente em algumas mamadeiras foi proibido em vários países (Foto: Fred Dufour/Arquivo AFP)


Bisfenol A presente em algumas mamadeiras foi
proibido em vários países (Foto: Fred Dufour/AFP)

A exposição de fêmeas de camundongo grávidas a uma substância contida em plásticos e latas, chamada bisfenol A, pode alterar as funções cerebrais e o comportamento dos filhotes ainda no útero, aponta uma nova pesquisa feita pela Universidade de Columbia, nos EUA. Esse composto está presente no policarbonato, um tipo de plástico transparente e duro, do qual são feitos produtos como mamadeiras.
Os resultados do estudo foram publicados na edição de segunda-feira (27) da revista americana "Proceedings of the National Academy of Sciences" (PNAS). Os autores, liderados pela cientista Frances Champagne, expuseram as cobaias e sua prole a baixas e repetidas doses de bisfenol A e viram que os fetos sofreram alterações sexuais no DNA – ao mudar enzimas e os receptores de estrogênio, um hormônio feminino. Além disso, houve uma mudança na expressão desses genes no cérebro de machos e fêmeas e no comportamento, tornando-os mais ansiosos.
A equipe também identificou outras modificações sociais nos roedores, que passaram a farejar mais e a perseguir e agredir os outros. A exposição ao bisfenol A alterou, ainda, alguns comportamentos das fêmeas no pós-parto, como lamber e cuidar dos filhotes.
Em 2011, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a venda de mamadeiras de plástico feitas com bisfenol A no Brasil. A medida começou a valer em janeiro do ano passado. Segundo a agência na época, não havia estudos conclusivos, mas existia a suspeita de que a substância pudesse causar problemas neurológicos em bebês menores de 1 ano. Outras pesquisas já sugeriram que o composto é capaz de provocar câncer.
O uso de policarbonato em mamadeiras já foi proibido também nos países da União Europeia, no Canadá e na Austrália. A substância aparece, ainda, em tigelas e copos plásticos, mas esses produtos continuam liberados. Mas a recomendação dos especialistas é de que esse material não seja aquecido, pois o calor favorece a migração do bisfenol A para o alimento.

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