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Enquanto a maioria dos ambientalistas defende o controle das emissões dos gases responsáveis pelo efeito estufa, alguns cientistas já preveem o pior e se dedicam a inventar métodos mirabolantes para interferir de maneira drástica nas mudanças climáticas do mundo.

Os geo-engenheiros buscam soluções para evitar o aquecimento global sem depender de que indústrias reduzam seu impacto no meio ambiente. Enquanto uns consideram pintar ruas e telhados de branco, outros querem criar nuvens artificiais ou "melhorar" plantas e árvores tornando-as capazes de absorver mais gás carbônico.

As ideias são polêmicas, e algumas tão arriscadas que poderiam causar mais danos que benefícios. Confira aqui alguns dos projetos que estão em estágio mais avançado e veja quais os prós e contras de cada um deles.

Apesar de algumas propostas serem promissoras, nenhuma delas resolve o verdadeiro problema do aquecimento global, apenas mascaram os efeitos da ação humana. A única maneira segura de garantir a manutenção das temperaturas do planeta é com a redução da emissão de gases do efeito estufa. Como já diz o ditado, é melhor prevenir do que remediar.

Controlar as chuvas

Com raios laser, cientistas estão trabalhando para conseguir provocar chuvas sobre locais específicos. Disparando os raios em atmosferas que já tenham alguma umidade, foi possível induzir a condensação das partículas de água. Não foi o suficiente para criar chuva, mas os resultados foram considerados promissores. Com mais pesquisas, os cientistas da Universidade de Genebra esperam chegar ao ponto de criar ou prevenir chuva. Na China, o comitê meteorológico de Pequim possui uma equipe dedicada exclusivamente a modificações climáticas.

Em 2009, o departamento alardeou como uma grande conquista ter disparado 432 foguetes com substâncias químicas - como gelo seco e iodeto de prata - que seriam capazes de criar nuvens e fazer chover. A iniciativa, entretanto, despertou descrença na comunidade científica internacional, que não pode verificar se o método era mesmo eficaz.


Sequestro de carbono

Uma possibilidade que já é colocada em prática em pequena escala e conta com muitos defensores é a de capturar dióxido de carbono produzido pela atividade humana e aprisioná-lo abaixo da superfície da Terra. A princípio, cientistas acreditam que a técnica limpa e eficiente é, também, segura. Mas o método é caro.

Atualmente, existem apenas 40 fábricas no mundo que realizam o procedimento com o dióxido de carbono que produzem em suas plantas. Voltado essencialmente para a indústria, a técnica de captura e armazenamento de carbono poderia consumir até 40% da energia gasta em uma fábrica, o que inviabiliza o método para a maioria das empresas.

Árvores artificiais

Povoar o mundo com 60 milhões de árvores artificiais de 15 m de altura é a proposta do geo-engenheiro Wallace Broecker, o cientista que cunhou o termo "mudança climática", ainda nos anos 1970. O projeto do americano está relacionado aos métodos de sequestro de carbono, já que as "árvores" - colunas com revestimento plástico capaz de sugar o CO2 da atmosfera - utilizariam um filtro apenas para capturar o CO2 e enviá-lo a depósitos subterrâneos.

Para quem acha a ideia absurda, Broecker tem a defesa na ponta da língua: "fazemos 55 milhões de carros a cada ano, então se realmente quisermos, podemos", ele afirmou ao jornal britânico The Guardian.


Oceanos "pró-ativos"

Crentes de que a natureza sozinha já não basta, cientistas querem tornar os oceanos mais eficientes na limpeza da atmosfera. Para isso, a ideia seria incentivar a proliferação de fitoplâncton, que filtram o CO2 e o transformam em oxigênio.

Diversos testes neste sentido já foram realizados, inclusive a fertilização de 900 km² do Atlântico, cujo resultado foi decepcionante. Pesquisadores alemães ainda tentam realizar novos testes, mas não obtiveram autorização do governo.

Vulcão artificial

Um plano digno de cinema está em andamento na Inglaterra. Cientistas pretendem fazer flutuar a 1 km de altura um balão do tamanho de um estádio. Ligado à Terra por uma mangueira, o balão seria uma ferramenta para soltar gotículas de químicos na atmosfera que refletiriam a luz do sol evitando que os raios solares chegassem à superfície do planeta.

O efeito é similar ao que ocorre após a erupção de vulcões, quando as cinzas expelidas criam uma nuvem que impede a passagem dos raios. Apesar de polêmico, o projeto já recebeu 1,6 milhões de libras do governo inglês e está em fase de testes. Opositores do sistema afirmam que é impossível prever com segurança os efeitos de disparar químicos na atmosfera, e os resultados poderiam ser desastrosos.

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